domingo, 24 de agosto de 2014

Cristiane Sobral no primeiro aniversário do Casarão das Artes - BH, autógrafos e performance com o rapper Russo Apr

Em Belo Horizonte, no dia 23 de agosto às 17h aconteceu o evento do primeiro aniversário do Casarão das Artes, centro cultural projeto de Marcial Avila em parceria com Rosália Diogo e equipe. Cristiane Sobral foi convidada e marcou presença cantando, interpretando os seus poemas, autografando livros e apresentando performance poético musical com Russo Apr e Wellison Pimenta.
Na ocasião Cristiane Sobral marcou presença de forma carismática, e partilhou seus saberes e vivências, proporcionando reflexões sobre a identidade negra e feminina, através de sua descrição poética inteligente, criativa e atual.
A atriz e escritora vestiu peças da grife Chica da Silva e colares de Cida da Silva Santos.

Vejam as imagens:
Fotos de Solange Rodrigues.


quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Exclusivo - Quinta, 21/08, transmissão via Web, Anand Rao musica poemas de Cristiane Sobral

Nesta quinta, 18 h, com transmissão ao vivo pela Ustream Tv, canal Sarau do Anand Rao (http://www.ustream.tv/channel/sarau-cultural-do-anand-rao) assista Anand Rao musicando os poemas de Cristiane Sobral.

Quem é Anand Rao

Anand Rao começou a tocar em 1979 e de lá para cá fez inúmeros shows e CDs. É parceiro de diversos poetas do Brasil, pois musica poemas no palco sem nunca tê-los lido. Faz shows anualmente no 55 Bar em New York City, USA. Faz workshops de composição musical (musicalização de textos) em feiras, bienais e salões de livros. Lançou ao longo da vida cerca de 20 livros de poesia e do ano passado até este ano mais de 25 CDs. Seu processo de composição é visceral. Sem nunca ter lido os poemas, como já dito, ele utiliza recursos de loopings e efeitos de violão para colocar efeitos na música durante o processo de musicalização.

Nos seus workshops além de musicar textos de todos que estão presentes, ensina como os mesmos podem comercializar seus trabalhos via download no Itunes, Spotfire bem como, na One Rpm, cujo o endereço da dua loja virtual, que vende seus CDs e faixas musicais para download é: https://www.onerpm.com/#/anandrao.

Tudo que faz também e disponibilizado no You Tube, no canal das Produções Anand Rao: https://www.youtube.com/user/Producaonandrao. É o Diretor Responsável pela Rádio Cultura Alternativa que só divulga músicos e poetas Lado B: http://radioculturaalternativa.com/. O Diretor do canal de TV Web na UstreamTv, Sarau do Anand Rao, onde faz tranmissões ao vivo de diversos programas: http://www.ustream.tv/channel/sarau-cultural-do-anand-rao. É o editor do Portal de Arte e Cultura Alternativa Independente (http://www.culturaalternativa.com.br/) com 120.000 acessos mês. Tem cerca de 30.000 seguidores em suas páginas privadas, perfil I e II, no facebook: https://www.facebook.com/anandraomusico e https://www.facebook.com/anandraoII. E suas páginas públicas: https://www.facebook.com/anandraomultiempreendimentos, https://www.facebook.com/jazzturismodrops e https://www.facebook.com/saraudoanandrao.



Quem é Cristiane Sobral



Cristiane Sobral é carioca de Coqueiros, (RJ). Mestranda em artes. (Universidade de Brasília), Especialista em Docência Superior pela Universidade Gama Filho (2008), Licenciada em Educação Artística pela Universidade Católica de Brasília (2005) e Bacharel em Interpretação Teatral pela Universidade de Brasília (1998). Na carreira artística há mais de 20 anos, tem atuado em cinema e teatro, onde já foi dirigida por diretores renomados. É Coordenadora na Fundação Cultural Palmares/MinC. Membro do Sindicato dos Escritores do DF. Escritora imortal na Academia de Letras do Brasil. Tem várias publicações com destaque para Não vou mais lavar os pratos, poesia, Ed. Dulcina. 2ª edição. 2011 e Espelhos, miradouros, dialéticas da percepção, contos. Ed. Dulcina, 2011. 1ª ed. Casada com Jurandir Luiz, mãe de Malick e Ayana.



POEMAS CRISTIANE SOBRAL

crisobral2@gmail.com



Pixaim Elétrico



Naquele dia

Meu pixaim elétrico gritava alto

Provocava sem alisar ninguém.

Meu cabelo estava cheio de si





Naquele dia

Preparei a carapinha para enfrentar a monotonia da paisagem da estrada

Soltei os grampos e segui de cara pro vento, bem desaforada

Sem esconder volumes nem negar raízes.



Pura filosofia

Meu cabelo escuro, crespo, alto e grave

Quase um caso de polícia em meio à pasmaceira da cidade

Incomodou identidades e pariu novas cabeças



Abaixo a demagogia!

Soltei as amarras e recusei qualquer relaxante

Assumi as minhas raízes ainda que brincasse com alguns matizes

Confrontando o meu pixaim elétrico com as cores pálidas do dia.



SONHO DE CONSUMO



Se você me quiser vai ser com o cabelo trançado

Resposta na ponta da língua

Teste de HIV na mão.

Se você me quiser desligue a televisão

Leia filosofia e decore o Kama-Sutra.

Muito bem!



Se você me quiser esteja em casa,

Retorne as ligações, e traga flores.

Não venha com teorias sobre ereção ou centímetros a mais.



Nem sempre vou querer sexo.

Nem sempre vou dizer tudo, ou acender a luz.

Posso usar ternos ou aventais. Qual a diferença?

As noites serão sempre intensas à luz de velas.



Se você realmente me quiser, ouse digerir a contradição.

Ajude-me a ser uma mulher, diante de um homem.



Quem disse que seria fácil?



LENTE DE CONTATO




Será que você pode olhar no fundo dos meus olhos?

Será que você pode acreditar na sua visão?

Esquece o que o seu pai disse!

Vê se muda essa situação.



Sou negra.

Estou aqui diante dos seus olhos

Esperando você despir o seu preconceito,

Pra gente encontrar um jeito de ser feliz.



Ah, o meu cabelo natural, isento de culpa,

Vai bem obrigada.



Que bom você ter sido espetado pela consciência.

Que bom você ter sido cutucado pela consistência.

Será que dá pra você tirar essa lente distorcida

Que tanto atrapalha o nosso contato?



DESTINO



A palavra mama na fonte

Arial tamanho quatorze

Suga o espaço da página

Ocupa o seu lugar no mundo



ESPERANÇA ANCESTRAL



A minha mãe esperava o meu pai

Esperava um tempo melhor

Esperava a cada nove meses um rosto

Esperava o feijão cozinhar.



O meu pai tinha esperança no emprego

Esperança no sossego

O meu pai nos alimentava com esperança.



Eu espero ser tão capaz de esperar

Tão sábia para administrar o meu mundo

Tão forte para parir e não parar.

Tenho o meu próprio movimento

Espero, mas tenho uma comichão por dentro,

Que me empurra à luta.



DECEPÇÃO



Às vezes eu me sinto tão só

Tão invisível

Tão descolorida.



Restaurantes no domingo

Festas no final de semana

Promessas na sexta-feira à noite.



Às vezes eu me sinto tão só

Tão invisível

Tão descolorida.



Reuniões marcadas

Churrascos em tantos lugares

Trânsito engarrafado.



Às vezes eu me sinto tão só

Tão invisível

Tão descolorida.



Ao seu lado.


AMULETO DA SORTE

Vou à luta com o meu pixaim
Enfrentando mentiras para escravizar o povo preto

Os cabelos meus
Os cabelos de Deus
Estão no alto
Teto das ideias
Cúpula do paraíso

Sigo enfrentando mentiras do mundo canônico
Tirando da testa pensamentos pré-moldados
Limpando a visão constantemente ofuscada
Pelo padrão hegemônico

Os cabelos meus
Os cabelos de Deus
Tem cheiro de liberdade

Os cabelos meus estão no topo do mundo
Abrindo caminhos de prosperidade



A MÃO E A LUVA



Eu hoje comi um poema com pão

Seco

Ontem não fiz nenhuma refeição

Amanhã talvez uma sopa de letrinhas

Há dias que não brota poema algum

Acordo e mantenho o jejum

Até que anoiteça

Mas as palavras um dia brotam

Como água dos rios

Como chuva

Há poemas que caem

Há poemas que cabem

Como uma luva

E alimentam a alma.



RETINA NEGRA

Sou preta fujona
Recuso diariamente o espelho
Que tenta me massacrar por dentro
Que tenta me iludir com mentiras brancas
Que tenta me descolorir com os seus feixes de luz

Sou preta fujona
Preparada para enfrentar o sistema
Empino o black sem problema
Invado a cena

Sou preta fujona
Muito além do discurso panfletário
Tiro qualquer racista do armário
Enfio o pé na porta
E entro.

TENTE ME AMAR

Tente me amar
Enquanto a chuva não vem
Depois que o leite derramar
Ame como nunca amou ninguém

Tente me amar
Sem pensar em voltar
No balanço do trem
Esperando a hora certa de fazer um neném

Tente me amar
Sem desculpas pra me deixar
De anel no dedo
Ame completamente sem medo

Tente me amar
Sem me confundir com ninguém
Enquanto seu lobo não vem
Tente me amar
E consiga.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Cristiane Sobral e Conceição Evaristo em mesa na UFRJ sobre literatura negra 19 de agosto de 2014 - Rio de Janeiro

O evento Escritoras Negras em Expressão aconteceu no dia 19 de agosto das 10h às 14h no Departamento de Letras da UFRJ, auditório G2, com organização das professoras Anélia Pietrani, Maria Teresa Salgado e das estudantes Jaqueline Oliveira e Larissa Mello, pesquisadoras de literatura africana. A programação contou com o debate sobre literatura negra e exposições de Conceição Evaristo e Cristiane Sobral, incluindo sessão de autógrafos dos seus livros, a exibição do filme "O papel e o mar", de Luiz Antonio Pilar e a exposição de José Carlos Sebe, autor de "Cinderela Negra", a Saga de Carolina Maria de Jesus (Editora da UFRJ) nesse evento que celebrou a literatura negra e o centenário de Carolina.
Vejam algumas imagens que refletem a presença e energia da atividade:






>

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Poema do novo livro Só por hoje vou deixar o meu cabelo em paz

Retina Negra

Cristiane Sobral

Sou preta fujona
Recuso diariamente o espelho
Que tenta me massacrar por dentro
Que tenta me iludir com mentiras brancas
Que tenta me descolorir com os seus feixes de luz

Sou preta fujona
Preparada para enfrentar o sistema
Empino o black sem problema
Invado a cena

Sou preta fujona
Defendo um escurecimento necessário
Tiro qualquer racista do armário
Enfio o pé na porta
E entro.

Sobral, Cristiane. Só por hoje vou deixar o meu cabelo em paz. Poesia, Ed. Teixeira. 2014. Brasília.
Peça o seu - crisobral2@gmail.com

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Adquira o seu exemplar de Só por hoje vou deixar o meu cabelo em paz


Sobral, Cristiane. Só por hoje vou deixar o meu cabelo em paz, poesia, Ed. Teixeira, 2014.

Nesta obra, a poeta não economiza tinta e perspicácia para ferir mortalmente aquele que pratica a discriminação, o preconceito, o machismo, o racismo e a homofobia. Com doçura, ela tece os seus versos também para falar da maternidade. Com a mesma matéria lírica, por vezes ela ferozmente condena quem se atreve a desdenhar do cabelo do negro e da negra. Ela escreve sobre a política de discriminação que engendra a sociedade brasileira e que mantém uma situação estrutural e estruturante de colonialismo, com disfarce, para tentar ludibriar muitas pessoas.

Confiram como a escritora nos instiga a manter a altivez, a resistência, a elegância, o prazer e o gosto pelo viver afro.

Rosália Diogo. Professora do Ensino Fundamental da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte/Jornalista/Doutora em Letras/Literatura. Autora dos livros Mídia e Racismo e Rasuras no Espelho de Narciso: educadoras negras e a crítica à representação de negros e negras na mídia. Pesquisadora Capes. Professora do Middlebury College.

Peça já o seu - crisobral2@gmail.com, mandamos para todo o Brasil.

Abaixo alguns trechos:

1 - Só por hoje vou deixar o meu cabelo em paz
Só por hoje vou deixar o meu cabelo em paz
Em 24 horas serei capaz
De tirar
Os óculos escuros modelo europeu que eu uso

2 – Retina Negra
Sou preta fujona
Defendo um escurecimento necessário
Tiro qualquer racista do armário
Enfio o pé na porta
E entro

3 – Amuleto da sorte
Empino os meus cabelos
Combatendo a anemia espiritual
Fruto da ignorância
De quem atribuiu a Cam a raiz do mal

4 – Palavras Não São Cascas
Palavras não são cascas
Podem revelar o racismo à luz do dia

5 – Petardo
Escrevi
Escrevo
Escreverei
Com letras garrafais vermelho vivo
Pra você lembrar que jorrou muito sangue

6 – Meu Pombo da Paz
Mandem um pombo preto
Não quero pasmaceira
Nem os pombinhos brancos
Que fazem o jogo de sempre
Branco fingindo que não discrimina
Preto que não reage
Mestiço que finge ser branco

7- Erro de Português
Tira a mão do meu quadril
Não sou mulata exportação Brasil
Você vacilou, perdeu a vez
Enjoei do seu perfume francês

8 – Black Friday
Black Friday
Meu corpo nunca estará em liquidação
Para vocês jamais venderei barato
O que sempre custará o dobro

9 - 20 de Novembro
Não fale comigo nesse tom
Compartilhamos a mesma língua portuguesa
Mas tenho o direito de escolher outras palavras
De recusar estereótipos que não me servem
Talvez seja necessário escurecer para você entender

10 -Ilusão de Ótica
Que você pudesse enxergar com os óculos da percepção
Muito além da minha melanina e dos meus quadris


11. Útero da Terra
Sou mãe profunda
Estendo meu útero pelo planeta
Preservo na terra os que querem nascer
Preparo o alimento
Cuido e acalento
E vejo minha prosperidade crescer

12. Tente me amar
Tente me amar
Sem me confundir com ninguém
Enquanto seu lobo não vem
Tente me amar
E consiga

13. Com gosto de neve
Quero um amor
Que da alegria seja fornecedor
Pra jogar flores no mar
Pro tempo nunca mais passar

14. Inoxidável
Sou osso duro de roer
Tente morder
Tente quebrar
Sugiro não tentar


15 - A Mão e a Luva
Há poemas que caem
Há poemas que cabem
Como uma luva
E alimentam a alma



quarta-feira, 30 de julho de 2014

Um poema para um dia frio no Planalto Central

Poema de Narciso


Cristiane Sobral


Se você acha que literatura é perfumaria
Olhe para o espelho do banheiro e leia minha poesia
Engula a força da letra como o pão de cada dia
Haverá cura

Não será um exercício fútil
Verás que trago um poema útil
Munição para os tempos de violência
Cachecol para os dias frios
Palavras pretas luzeiro
Poema farol.


Cristiane Sobral em evento de literatura na UFRJ - 18 de agosto de 2014

Com grande prazer, alegria e satisfação convidamos todos vocês para a mesa organizada pela pesquisadora Jacqueline Oliveira juntamente com o apoio das professoras Maria Teresa Salgado e Anélia Pietrani .
O evento será realizado no dia 19 de agosto, às 10:00 da manhã e contará com a brilhante participação das escritoras Conceição Evaristo, Ana Cruz e Cristiane Sobral. Além disso vamos homenagear a ilustre Carolina Maria de Jesus.
O local é o auditório G2 da Faculdade de Letras da UFRJ.
Conto com vocês! Na ocasião, Cristiane sobral estará autografando sua nova obra Só por hoje vou deixar o meu cabelo em paz, poesia, Ed. Teixeira, 2014.